O Mercado de Trabalho Formal de Arqueólogos
O que a RAIS e o Novo CAGED revelam sobre a nossa profissão entre 2022 a 2025?
1 de novembro de 2026
Quantos arqueólogos possuem carteira assinada no Brasil? Quantos ganham? Onde estão? E, principalmente: quantos ficam de fora dessa conta?
O SINTARQ realizou um levantamento que reúne dados oficiais do mercado de trabalho formal coletados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no período de 2022 a 2025. As informações obtidas foram sintetizadas em gráficos interativos e contendo tabelas que podem ser baixadas em CSV ou Excel. Cada gráfico e tabela contém o código que gerou o resultado para conferência e auditabilidade.
O trabalho apresentado nesta publicação é de autoria de Tacio Vieira Machado, e é de acesso livre para todas as trabalhadoras e trabalhadores, servindo para conscientização de nossa categoria.
E o que os dados mostram?
- 383 vínculos formais ativos em dezembro de 2025, em todo o país;
- As arqueólogas são maioria na profissão e minoria no emprego formal. Elas representam 52,5% da estimativa populacional, mas ocupam apenas 43,1% dos vínculos com carteira assinada;
- Maioria dos assalariados ganham menos de três salários mínimos e com poucas oportunidades de ascensão salarial elevada;
- Poucas vagas ocupadas por profissionais com mestrado ou doutorado. A pós-graduação não se converte, no mercado formal, em vantagem competitiva para o vínculo celetista;
- Rotatividade alta, um em cada quatro contratos ativos tinha menos de doze meses de duração;
- Dependência do licenciamento ambiental. O crescimento de vínculos e salários nominais concentra-se nas consultorias especializadas que atendem demandas de obras licenciáveis.
74% dos trabalhadores que atuam no licenciamento ambiental apontam a falta de um sindicato ou conselho como o principal problema da profissão.
Pesquisa conduzida pelo GT Licenciamento Ambiental da Sociedade de Arqueologia Brasileira (GTLA-SAB, 2025) revela o que foi declarado pela categoria. Essa percepção é acompanhada por queixas sobre salários e diárias insuficientes, instabilidade no emprego e acúmulo de funções.
Por que isso importa?
A remuneração média informada por profissionais autônomos fica entre R$ 3.500 a R$ 4.000 por mês, com diária média de R$ 200 e nenhum valor de referência regulado – pesquisa do GTLA-SAB. Na RAIS, os patamares são parecidos.
Essa comparação sugere que o emprego formal não é sobretudo uma porta para salários melhores: é uma porta para proteção trabalhista – férias, décimo terceiro, FGTS e previdência.
É precisamente por isso que o sindicato se apresenta como a instância institucional mais adequada para articular essas demandas. Sem essa articulação coletiva, a profissão continuará crescendo em número de vínculos, mas sem traduzir esse crescimento em segurança, estabilidade e valorização real para seus profissionais.
Tacio Vieira Machado – 1 de novembro de 2026
Membro da Comissão Geral Sindical. Arqueólogo pela UNIVASF e Cientista de Dados pela UFMS. Atualmente é servidor temporário do IPHAN, ocupando o cargo de arqueólogo na CGLic.
Revisão: Arthur Braga Alves, Lucas Silva de Oliveira